Eu mesma custei a acreditar. Apito final. Juiz pede a bola e
aponta o centro campo. A torcida já soltava aquele tão sonhado grito havia mais
15 minutos, com direito a “olé” e tudo. E eu ali, parada! Olhando pra tela da
TV, assistindo a euforia do meu pai, que finalmente, depois de 90 minutos, se
permitiu deixar o seu lugar no sofá. Aquele mesmo lugar no qual assistiu a
todos os jogos da campanha invicta na Libertadores da América 2012.
Até o menos supersticioso dos torcedores tem o seu ritual.
Meu pai tem vários! Um deles é bater no peito duas vezes, gritar “Vai Corinthians”,
bater uma palma e estender a mão pra mim, toda vez que começa uma partida.
De mania, eu só tenho uma! Durante aqueles jogos difíceis,
no qual o time adversário vai pra cima com tudo buscando o resultado, eu fecho
os olhos ou dou uma volta pela casa. Principalmente em cobranças de falta ou
escanteio. Sorte não dá, mas ameniza o sofrimento...
Tão atípico esse jogo do dia 4 de julho, que não precisei de nada disso. Primeiro tempo nervoso e sem uma única chance de gol para nenhum
dos lados. Segundo tempo? Dominamos do início ao fim. O que se via era um
Corinthians experiente, tranquilo, que fazia a bola rolar de pé em pé. Era
questão de tempo até fazermos um gol, e eu sabia disso. Não demorou muito para
acontecer. Aos 8 minutos, Alex em cobrança de falta pela direita cruza a bola,
que é desviada de cabeça pelo baixinho Jorge, sobrando nos pés de Danilo, que à
lá Sócrates, ajeita pra Emerson abrir o placar.
Poderia ter sido diferente: o Corinthians a partir daí
recuar, o Tite tirar um atacante e colocar um zagueiro, e o Boca vir pra cima
buscando um empate. Não seria nem um
pouco estranho se isso tivesse acontecido. Nada disso! Jogando em casa, com
seus quase 40 mil torcedores ensandecidos, o grande time que chegou até ali,
jogou como time grande e acuou a equipe argentina em seu campo de defesa.
E então, a estrela de Emerson brilhou mais uma vez. O camisa
11 mostrou que também sabe ser provocador, e que isso não é coisa só dos hermanos. Caruso que o diga! O zagueiro
argentino bem que tentou, mas depois de ser deixado pra trás na arrancada do
atacante corinthiano, só lhe restou ver a bola descansar no fundo da rede faltando
20 minutos para o final.
As primeiras faixas de “É Campeão” foram surgindo, e mesmo
os torcedores mais comedidos que acreditam que esse gesto traz má sorte, já não
conseguiam mais se conter. A “zica” tinha nos deixado, e levaríamos sim esse
título! Estava escrito, parece... Desde o primeiro jogo dessa Libertadores, em
que aos 48 minutos do segundo tempo, Ralf cabeceou para dentro do gol, evitando
uma derrota para o Deportivo Táchira, lá na Venezuela. Ou então quando, com as
pontas dos dedos, Cássio evitou o gol de Diego Souza. E até no gol de empate de
Danilo, no final do jogo contra o Santos no Pacambu. Estava escrito que esse
título seria nosso, Assim como esse título está agora escrito na história do
Corinthians, e o nome do Corinthians gravado pra sempre no troféu da
competição.
E eu continuei ali parada, sem reação, ouvindo os fogos que durariam mais do que em virada de ano. Precisei ver todos os jogadores recebendo suas medalhas, ouvir suas entrevistas emocionadas, ver o capitão erguendo a taça, precisei dormir e acordar de novo, ler e reler todas as notícias, assistir a todos o jornais possíveis, e nada! Continuo sem ter palavras, sem ter reação, sem ter como responder à altura tudo que o Corinthians me proporcionou ontem, e em tantas outras vezes... Desculpa Corinthians, o grito continua preso na garganta... Coitado de quem estiver por perto quando finalmente cair a ficha...
E eu continuei ali parada, sem reação, ouvindo os fogos que durariam mais do que em virada de ano. Precisei ver todos os jogadores recebendo suas medalhas, ouvir suas entrevistas emocionadas, ver o capitão erguendo a taça, precisei dormir e acordar de novo, ler e reler todas as notícias, assistir a todos o jornais possíveis, e nada! Continuo sem ter palavras, sem ter reação, sem ter como responder à altura tudo que o Corinthians me proporcionou ontem, e em tantas outras vezes... Desculpa Corinthians, o grito continua preso na garganta... Coitado de quem estiver por perto quando finalmente cair a ficha...

Nenhum comentário:
Postar um comentário