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sábado, 23 de outubro de 2010

É isso que nos faz diferente


Texto antigo, escrito em 2008 após a triste derrota para o Sport na final da Copa do Brasil. Upando para quem ainda não viu... Mais tarde terá outros... Salve salve nação Corinthiana!


É isso que nos faz diferente

Quando penso que meu coração não irá mais suportar tão grande dor, me surpreendo, pois ele continua a bater. As lágrimas escorrem pelo meu rosto, me lembrando de um passado não tão distante. O chão desaparece debaixo dos meus pés. Tento recordar como tudo isso começou. Quando deixei esse amor extrapolar as barreiras da razão? Ao fundo ouço gritos vindos de todas as partes, e me pergunto: Por que estão comemorando? É claro que a maior torcida do Brasil não ia deixar barato. Os anti-corinthianos estão por toda parte. Eles riem, eles gritam e comemoram. Eu me levanto, enxugo as lágrimas, me envolvo na tua bandeira. E quando todos olham pra mim, eu sorrio, o aplaudo e volto a gritar teu nome para quem quiser ouvir. Os que estavam comemorando se calam, os FIEIS repetem os meus atos. Pois é, agora ninguém mais tem coragem de mexer com você, porque o breve momento de fraqueza acabou, e a inveja dos teus adversários aumenta. Eles balançam a cabeça em sinal de reprovação, mas o que acontece mesmo é que eles não entendem o que realmente estamos sentindo. É claro que nos decepcionamos. Quem esperava perder aquele título que estava em nossas mãos? Realmente sofremos, queríamos mais, é claro. Mais entrega dos jogadores, mais amor a camisa, mais respeito. Alguns me perguntam de onde vem tanta coragem de sair por ai com aquela camisa. Eu não diria que é coragem, eu acredito que seja amor. E respondo: Você largaria sua família porque algo não saiu como o esperado? Você tiraria a sua vida porque nada está dando certo? (alguns fazem isso, mas esses são os covardes, que tiram a própria vida com medo de viver) E eu digo: Essa aqui é minha família, está no meu sangue! Isto aqui é a minha vida, aquilo que faz o meu coração bater. Estou triste hoje sim, como milhões estão. Mas é hora de se levantar novamente e voltar a lutar, porque é isso que nos torna diferentes dos demais. Somos o povo. O povo fiel e sofredor, que acordou sabendo que a batalha continua. Um povo humilde e trabalhador, que tenta se desligar um pouco da noite anterior, no dever de correr atrás do pão de cada dia.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O que você vai ser?

Como você se imagina daqui a 20 anos? Um médico cirurgião bem sucedido, um engenheiro dono de sua própria construtora, um promotor, um juiz? Quando pensamos onde queremos estar no futuro, sempre nos vêm coisas boas, estaremos sempre um passo a frente de onde estamos hoje. Acontece que quanto mais andamos, mais longe queremos chegar, e em um momento de nossas vidas, nos encontraremos em um beco sem saída, e nesse exato instante começaremos a nos indagar se toda essa longa caminhada valeu a pena. Muitos chegarão à conclusão de que sim, e se sentirão realizados, outros colocarão em uma balança os prós e os contras, e todas aquelas “pedras” que encontraram e retiraram de seu caminho somarão um grande peso, e um déficit irá se fazer notar.

Mas a maioria de nós não irá chegar ao fim dessa estrada. Um dia seremos obrigados a dar um passo maior que perna, e então o fracasso será certo. Como lidar com o fracasso? Será possível olhar para trás e se dar por satisfeitos com tudo aquilo que foi construído ao longo do caminho, e com tudo aquilo que não foi destruído, que permaneceu intacto?

Será que lidaremos da mesma forma de quando descobrimos que não poderíamos ser Power Rangers, ou um grande mestre Pokémon? Quando percebemos que não é tão fácil assim ser melhor que Pelé, ou encontrar um príncipe encantado, ou ser uma linda mulher e se casar com um Richard Gere. Mas todos um dia superamos essas frustrações...

Será tão mais difícil acabar com sonho de um adulto sem destruir sua vida? À criança, damos tempo, até que ela perceberá que mesmo sem super poderes, poderá realizar grandes feitos. E se nos dermos conta de que todo aquele tempo que tínhamos na infância simplesmente foi gasto? E que não existe poderes sobrenaturais ou máquina do tempo que o faça voltar atrás.

Quando aprenderemos que a vida não é tão simples quanto a gramática, e teremos consciência de que não existe um presente permanente quando o verbo é “viver”?

Não se trata também de viver cada dia como se fosse o último... Seria o mesmo que transformar a loucura em rotina...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Onde está a sua voz?

Falta pouco menos de um mês para o vestibular, e sei que não estou me empenhando nem um décimo do que prometi no início das aulas. Culpo as inúmeras distrações que a modernidade me proporciona. TV com centenas de canais, que posso gastar muito tempo passando de canal em canal para encontrar algo que me interessa – o que raramente acontece... Não tenho mais tempo para ler um livro, nem mesmo assisto mais o jornal pela televisão... Recebo as notícias em apenas 140 caracteres – economia de tempo para perder mais tempo em coisas menos produtivas. Por exemplo, assistir inúmeras séries americanas. Começo a me envergonhar de gastar tanto tempo do meu dia com sitcoms. Quando se pensa que tem uma super vida social, percebe que metade das pessoas que estão no seu MSN você nunca viu na vida, e que apenas uma pequena parcela daqueles que realmente conhece, costuma conversar com você, e se surpreende quando toma consciência de que aqueles que se tem mais contato são grandes amigos que há muito tempo no vê, não por causa da distância, mas porque se gasta muito tempo na frente de um computador, sabendo tudo sobre todos, mas sem conhecer ninguém...

Expomos nossas vidas pra quem não conhecemos, e não temos coragem de ter uma conversa sincera com quem mais amamos. Aos meus amigos que deixei no passado, e que por muito tempo julguei que tivessem me deixado de lado, não conheço mais vocês... Não sei o que fazem, não sei como se sentem, não rio mais com vocês, não choro mais com vocês, nem faço mais brincadeiras idiotas só pra ganhar um sorriso, ou falo coisas absurdas só pra chamar sua atenção. Mas tudo bem, já que eu tenho em quem por a culpa: a Internet, que substituiu o telefone, que substituiu as cartas, que substituiu as visitas casuais para um chá, que por fim substituiu o convívio.

Estamos na dita “Era da Informação”, onde as notícias só não são tão rápidas quanto a velocidade da luz, que alimenta nossa ânsia por conhecimento e nos deixa a um passo da sabedoria e a centímetros da total ignorância. Aquilo que era para nos informar, nos deforma, nos aprisiona onde ficamos vulneráveis e tendemos a acreditar em uma verdade pré-fabricada, onde nossos pensamentos são limitados e inofensivos, quando perdemos nossa força e trocamos nossa voz por 140 caracteres...