Páginas

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Me faltam palavras...



Eu mesma custei a acreditar. Apito final. Juiz pede a bola e aponta o centro campo. A torcida já soltava aquele tão sonhado grito havia mais 15 minutos, com direito a “olé” e tudo. E eu ali, parada! Olhando pra tela da TV, assistindo a euforia do meu pai, que finalmente, depois de 90 minutos, se permitiu deixar o seu lugar no sofá. Aquele mesmo lugar no qual assistiu a todos os jogos da campanha invicta na Libertadores da América 2012.

Até o menos supersticioso dos torcedores tem o seu ritual. Meu pai tem vários! Um deles é bater no peito duas vezes, gritar “Vai Corinthians”, bater uma palma e estender a mão pra mim, toda vez que começa uma partida.

De mania, eu só tenho uma! Durante aqueles jogos difíceis, no qual o time adversário vai pra cima com tudo buscando o resultado, eu fecho os olhos ou dou uma volta pela casa. Principalmente em cobranças de falta ou escanteio. Sorte não dá, mas ameniza o sofrimento...  


Tão atípico esse jogo do dia 4 de julho, que não precisei de  nada disso. Primeiro tempo nervoso e sem uma única chance de gol para nenhum dos lados. Segundo tempo? Dominamos do início ao fim. O que se via era um Corinthians experiente, tranquilo, que fazia a bola rolar de pé em pé. Era questão de tempo até fazermos um gol, e eu sabia disso. Não demorou muito para acontecer. Aos 8 minutos, Alex em cobrança de falta pela direita cruza a bola, que é desviada de cabeça pelo baixinho Jorge, sobrando nos pés de Danilo, que à lá Sócrates, ajeita pra Emerson abrir o placar.

Poderia ter sido diferente: o Corinthians a partir daí recuar, o Tite tirar um atacante e colocar um zagueiro, e o Boca vir pra cima buscando um empate.  Não seria nem um pouco estranho se isso tivesse acontecido. Nada disso! Jogando em casa, com seus quase 40 mil torcedores ensandecidos, o grande time que chegou até ali, jogou como time grande e acuou a equipe argentina em seu campo de defesa.

E então, a estrela de Emerson brilhou mais uma vez. O camisa 11 mostrou que também sabe ser provocador, e que isso não é coisa só dos hermanos. Caruso que o diga! O zagueiro argentino bem que tentou, mas depois de ser deixado pra trás na arrancada do atacante corinthiano, só lhe restou ver a bola descansar no fundo da rede faltando 20 minutos para o final.

As primeiras faixas de “É Campeão” foram surgindo, e mesmo os torcedores mais comedidos que acreditam que esse gesto traz má sorte, já não conseguiam mais se conter. A “zica” tinha nos deixado, e levaríamos sim esse título! Estava escrito, parece... Desde o primeiro jogo dessa Libertadores, em que aos 48 minutos do segundo tempo, Ralf cabeceou para dentro do gol, evitando uma derrota para o Deportivo Táchira, lá na Venezuela. Ou então quando, com as pontas dos dedos, Cássio evitou o gol de Diego Souza. E até no gol de empate de Danilo, no final do jogo contra o Santos no Pacambu. Estava escrito que esse título seria nosso, Assim como esse título está agora escrito na história do Corinthians, e o nome do Corinthians gravado pra sempre no troféu da competição.


E eu continuei ali parada, sem reação, ouvindo os fogos que durariam mais do que em virada de ano. Precisei ver todos os jogadores recebendo suas medalhas, ouvir suas entrevistas emocionadas, ver o capitão erguendo a taça, precisei dormir e acordar de novo, ler e reler todas as notícias, assistir a todos o jornais possíveis, e nada! Continuo sem ter palavras, sem ter reação, sem ter como responder à altura tudo que o Corinthians me proporcionou ontem, e em tantas outras vezes... Desculpa Corinthians, o grito continua preso na garganta... Coitado de quem estiver por perto quando finalmente cair a ficha...