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domingo, 21 de novembro de 2010

Não vale apena...


Já disse pra mim mesma, vou deixar de torcer, vou odiar futebol, vou ao shopping aos domingos. Quero deixar de sofrer, quero chorar apenas por coisas que realmente importam, quero dar valor ao meu coração e não colocá-lo a beira de um colapso a cada gol perdido, a cada vitória sofrida... Desejo desatar esse nó da minha garganta a cada derrota amarga.
Prometo, amanhã, deixar a camisa na gaveta e o orgulho de lado, não sorrirei ao cruzar com um corinthiano na rua, ou quando vir uma bandeira em uma janela. E quando ouvir o hino, nenhum som sairá de minha boca, apenas cruzarei os braços esperando pelo fim. Enquanto isso, eu me lembrarei de que não vale a pena.
Nem mesmo naquele silêncio que antecede um grito de gol, quando as arquibancadas se calam só esperando a bola finalmente descansar no fundo da rede. Não vale a pena sofrer na arquibancada enquanto o time perde mais uma partida, ainda que os jogadores dêem o sangue, ainda que a vitória venha no último minuto. Mesmo assim não vale a pena...
Não vale a pena esperar 22 anos por um título, ainda que aquelas lágrimas venham da alma e aquele choro que finalmente tranqüilizará seu peito venha sem nenhuma cerimônia. E que aquele abraço inesquecível venha de um desconhecido. E todas essas histórias que você poderia contar para seus filhos, são muito poucas perto de tudo aquilo que sofreu...
A quem estou querendo enganar, quando tudo o que eu queria era poder ter visto aquele gol de Basílio?
Lembro de todas as vezes que deixei de acreditar e aquela mesma vitória, no último minuto, me ensinou do jeito mais difícil, de que o Corinthians é o time do impossível e que não existe vitória certa, tão pouco uma derrota que possa ser gravada em pedra antes do apito final.
E a cada dia mais, sei que não vale a pena negar aquilo que o coração sente, nem o sangue que corre em suas veias. Não vale a pena deixar a camisa na gaveta, nem mesmo após uma derrota para o rival, porque todos aqueles olhares de desdém nem se comparam ao orgulho de encontrar outro corinthiano na rua, e sem dizer uma palavra, aquela será a melhor conversa que terá em todo o seu dia.
Não vale a pena deixar o Corinthians de lado, não vale a pena e não é possível.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Desde então, rimas não faço mais...

Enquanto estiver sem criatividade e preocupada com vestibular, irei apenas postar alguns textos antigos... O próximo é uma espécie de homenagem as 7 pessoas mais especiais que já conheci...

Andei procurando a felicidade, me disseram que era rara e difícil de encontrar. Um senhor já com certa idade, me disse que o segredo, era não procurar. Desolada e já muito cansada, percebi que na verdade, felicidade não há. E que o tempo estaria passando, e eu ainda continuaria a rimar.

Anos depois, encontrei esse mesmo senhor. Contei a ele todos os meus fracassos, e que de tanto buscar percebi que nada iria encontrar. Ele então me entregou um papel amassado dizendo que todas as respostas estariam lá.

Abri já sem muita esperança, imaginando que um “x” marcaria o lugar. Me surpreendi quando vi só palavras, e que nessas palavras, sentido, não podia se encontrar. (Mas por que continuo a rimar?)

Percebendo que nada entendi, ele então se pôs a explicar. “A resposta para tudo o que procura, está em uma única palavra, na qual todas essas qualidades possam se encaixar.”

Um dia, após horas de viagem, sentei-me ao chão e comecei a observar. As pessoas continuavam seus caminhos, mecanicamente nada percebiam a sua volta. Foi então que vi um sorriso, que a todos saudava sem pedir resposta em troca. Fixei-me naquela pessoa como se ela tivesse algo a me ensinar.

Abruptamente ela parou, e pôde me enxergar, como se de invisível, um brilho passasse a me iluminar. Se aproximou devagar, mas sem medo do que minha tristeza poderia lhe causar. Ela me cumprimentou, e logo perguntei se com ela estava a felicidade. E ela sem nada entender, disse-me apenas que tudo o que procuro está na AMIZADE.

Ela ouviu todas as minhas histórias pacientemente, e percebendo o meu cansaço me ofereceu um lugar para ficar. Mais tarde naquele mesmo dia, abri aquele velho papel, esperando encontrar palavras, mas tudo o que encontrei foi o significado do que eu procurava.

Desde aquele dia, anos se passaram, e essa história eu continuo a contar, a cada perdido que venha querendo a felicidade encontrar. E por incrível que pareça, rimas não faço mais.