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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pés no chão, bailarina!

Colocou na cabeça que seria alguém, não importava quem, nem o que fosse necessário. Ali não voltaria mais. Tinha 7 anos quando deixou a casa de seus pais, mas voltou. Nenhum ano mais velha, alguns centavos mais pobre, como poderia ser correto, já que chegou a padaria sem nenhuma moeda no bolso?

Vou fazer um estrago na caderneta do meu pai, pensou a menina antes de pedir ao dono da venda, 75 centavos em balas de todos os tipos. O rapaz sorriu e então fingiu escrever algo, e depois mostrou a menina que gostaria de se certificar de que seu plano corria bem. Viu alguns rabiscos e concordou como se pudesse ler o que estava escrito.

Já posso ver a cara dele quando souber o que eu fiz. E foi quando percebeu que não estaria lá quando descobrissem. Pelo menos não ficaria de castigo e poderia ir para as aulas de balé... Mas se fosse eles a encontrariam. Teria que abandonar a escola e todos os seus amigos.

Então as lágrimas escorreram pelo seu rosto, e pouco depois já abria o portão de sua casa. Passou pela cozinha e sua mãe, pisando duro, e se dirigiu à sala onde seu pai assistia ao noticiário local.

Tudo bem! Eu volto para casa. Mas com uma condição...

O pai continuou a olhar para a televisão, mas ouvia atentamente o que a criança dizia. Iria negociar exatamente como aprendeu nos filmes. Mas aquela ali era jogo duro.

Eu quero ir as minhas aulas de balé e ser uma bailarina, e você não pode me negar isso. Outra coisa. Eu vou à escola quando eu quiser, não preciso disso para ser uma grande bailarina.

- Mas precisa “disso” para aprender a contar. Você disse UMA condição já foram duas até agora... Nunca disse que não poderia dançar, apenas pedi que fizesse a tarefa, primeiro. E enquanto não puder comprar balas com seu próprio dinheiro, sou eu que decido o que você deve ou não fazer. Temos um trato?

Ele estendeu a mão para a filha como forma de selar o acordo, mas ela ignorou a formalidade e pulou em seus braços.

É... Por enquanto temos um acordo...

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